Tuesday, June 27, 2006

O caminhar em si pela vida implica que fomos afetados por diferentes condições, boas e más, realizações ou fracassos, que nos dão um saber sobre a experiência humana. Há algo portanto de biográfico e de universal na fala de cada pessoa que nós temos a oportunidade de vir a conhecer.
Eu gosto de ser impactada pelas minhas leituras:
"Tenho uma grande arte:eu firo duramente aqueles que me feremArquíloco de Paros, séc. VII a.C.Minha arte é maior ainda:eu amo aqueles que me amam."
(Rubem Fonseca)
Meditação à beira de um poema
Podei a roseira no momento certo
e viajei muitos dias,
aprendendo de vez
que se deve esperar
biblicamente
pela hora das coisas.
Quando abri a janela,
vi-a, como nunca a vira
constelada,os botões,
Alguns já com rosa- pálido
espiando entre as sépalas,
jóias vivas em pencas.
Minha dor nas costas,
meu desaponto com os limites do tempo,
o grande esforço para que me entendam
pulverizam-se
diante do recorrente milagre.
Maravilhosas faziam-se
as cíclicas perecíveis rosas.
Ninguém me demoverá
do que de repente soube
à margem dos edifícios da razão:
a misericórdia está intacta,
vagalhões de cobiça,
punhos fechados,
altissonantes iras,
nada impede ouro de corolas
e acreditai: perfumes.
Só porque é setembro.
(Adélia Prado)

"...o sol tão claro lá fora,o sol tão claro, Esmeralda,e em minhalma — anoitecendo."
(Manuel Bandeira)

"Não sei de onde me vem esta dor desigual
Em meus olhos desprendida,
encoberta, anunciada
Tristeza quase mística,
desordenada, transcendental
Em mim submersa, ramificada
Tristeza densa, flutuante, acorrentada
Correndo transversal na própria alma"
(João Lourenço Roque )

“A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados, e a orquestra é excelente...”
(Machado de Assis)

“A vida é um grande poema em estrofes variadas; umas em opulentos alexandrinos de rimas milionárias; outras, frouxas, quebradas, misérrimas, mas o refrão é um para todas, sempre o mesmo morrer. “ ( Olavo Bilac)

“A liberdade das almas, frágil, frágil como o vidro.” (Cecília Meireles)

“Meu amor me ensinou a ser simples Como um largo de igreja.” (Oswald de Andrade)

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.”
(Camões)

“Este Amor, que, afinal,
é a minha vida e que será,
talvez, a minha morte,
amor que me acalora e me intimida,
que me põe fraco quanto me põe forte;
este Amor, que é um broquel
e é uma ferida, vai decidir,
por fim, a minha sorte.”
(Hermes Fontes)

Quando me entrego
Fica meu corpo
Leve como as algas,
Como elas ondulando,
Volteando,
Tecendo gestos de harmonia.
Noiva do mar,
É todo meu
Um leito de alegria.
Luz Videira

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Luciana,
Está uma beleza de ser ler e sentir este teu espaço.
Parabéns pelas escolhas .
afetuoso abraço,
tua virgínia

7:45 PM  

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