Tuesday, June 27, 2006

Vida. Eu te celebro e canto!



Amanhece uma força em mim. Lembro-me das palavras de Riobaldo:
"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim, esquenta e esfria, aperta e despois afrouxa e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.O que a vida quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre e amar, no meio da alegria. E ainda mais alegre no meio da tristeza. Todo caminho da gente é resvaloso, mas cair não prejudica demais, a gente levanta, a gente sobe, a gente volta." (Riobaldo, Grande Sertão)
Uma força antiga impulsionando para a vida. Uma força que não permite o esmaecer dos sonhos. Uma força que pede caminho. Então, não resisto. Acolho danças, risos, lampejos e as palavras dos poetas:
"Vida. Eu te celebro e canto
na certeza
da grandiosa lição que nos ensinas
com teu poder de descobrir nas coisas
os cantos coloridos que elas guardam."
(Thiago de Mello)

"A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meios aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida.
(Mário Quintana)

"Eis-me nos horizontes luminosos."
(Guesa, de Sousândrade)
E não me cansa tanto aroma, tanta vida, alvoradas, céus abertos, mares iluminados. Esses sinais de vida, esses profundos recolhimentos. Sigo deflagrando combates. E diante dos obstáculos, repito as palavras de Quental:

"Se nos negam aqui o pão e o vinho...
avante! É largo, imenso esse horizonte... E em toda parte há luz."

Podemos afugentar dores, temores, véus escuros, os longos desolamentos dos inquietos. Vamos, então, tomar ares libertários, ter o coração embandeirado, agitar o ar com coisas frescas. Porque vida há.

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