Tuesday, June 27, 2006

Os poetas sabem das coisas

Tão leve estou que foi já nem sombra tenho.” (Mário Quintana)
Chega um momento em que não queremos contrariar a força das coisas. Aquelas coisas que estão fora do nosso controle.
“A gente vai contra a corrente Até não poder resistir Na volta do barco é que sente O quanto deixou de cumprir.” (Chico Buarque)
Cansamos de desperdiçar energia e forças. Estava certa Hilda Hilst:
" é assim...É crua a vida.
Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida.
Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços,
Vida, lavo-meNo estreito-pouco
Do meu corpo,
lavo as vigas dos ossos,
minha vida
Tua unha plúmbea,
meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua.
Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio,
lágrimaOlho d’água, bebida.
A vida é líquida.
(Hilda Hilst – da série Alcoólicas, publicada no livro Do desejo, Ed. Pontes, 1992)

Os poetas sabem das coisas:

"Mas, como disse um cantador, a felicidade é um trono de nuvem, quem se senta nele deve estar prevenido porque se desmancha à-toa, basta um ventinho, uma palavra impensada.
(José J. Veiga)

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