Wednesday, February 01, 2006

Poema de Manuel Bandeira

Poema dedicado a Itaperuna:

ODE AO CAFÉ


Primeiro houve entradas p'ra pegar índio
Entradas pra descobrir o ouro.
Agora há entradas pra plantar café.
Um dia trouxeram da Martinica um soldadinho verde.
O soldadinho juntou-se com a mulata roxa
E nasceu um exército de soldadinhos vermelhos.
Os batalhões alinharam-se
Marcha soldado,
Pé de café!
E tomaram de assalto as baixadas,
as lombas,as faldas e os contrafortes até o planalto.

Do meio dêles- De estrêla, boa estrela -
Saiu o maior soldado brasileiro.
Onde acampavam
Havia riqueza:
Colares, trapiches,
Estradas reais calçadas com pedra,
Resendes, Valenças, Vassouras,
Os tejucos do café,
Com linhagem de barões estadistas
que formaram gabinetes

e deram lustres aos bailes do segundo império.
Mas o amor do soldado derreja a mulata,
Marcha soldado,
Pé de café!
Soldado gosta de mulher nova:
Araçatubas de peito duro...
I taperuna de maiô preto...
Itaperuna!
Ponta de trilho da civilização cafeeira!
Criação republicana e brasileira!
Único município que não aderiu:
Porque era republicano antes da República.
Ora esta, eu agora me esqueci que não sou republicano.
Ponhamos: Itaperuna exceção republicana!
Desta república de paulistas e baianos,
Paulistas de Macaé!
Marcha soldado,
Pé de café!
Qual onda verde nada
Batalhão é que é.
Batalhão da república militarista.
Itaperuna exceção republicana!
Itaperuna pacífica das pequenas propriedades
Das quatro mil oitocentas e seis
pequenas propriedades registradas
Com os seus oito milhões de arrobas.
Terra de José de Lanes,
Bandeirantes sem crimes na consciência.
Itaperuna sem Rio das Mortes nem Mata da Traição.
(Exceção republicana!)
Vértice norte do triângulo Itaperuna. Araçatuba, Paranapanema,
Onde estão acampanhados os batalhões de café.
Marcha soldado,
Se não marchar direito
O Brasil não fica em pé

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