Friday, December 16, 2005

Entrevista com Antônio Lázaro de Almeida Prado- 6ª parte

Que delícia, Antônio!
“Uma palavra de ordem do Barroco era o dito latino Carpe diem, que significa “Aproveita o dia de hoje!”. Outro dito latino bastante em voga foi Memento mori, que significa “Lembra-te, homem, que morrerás um dia!”. Na pintura, um mesmo quadro podia mostrar a opulência da vida levada à larga, enquanto num dos cantos inferiores aparecia retratada uma caveira. Em muitos aspectos, o Barroco foi marcado pela vaidade e pela irracionalidade. Mas também havia muitos que se preocupavam com o reverso da medalha, isto é, com a transitoriedade de todas as coisas, com o fato de que tudo o que hoje é belo ao nosso redor vai morrer e apodrecer um dia.”( O mundo de Sofia, de Jostein GaarderCia. das Letras, São Paulo, 1998. Tradução de João Azenha Jr.)Pode falar a respeito? Há algum trânsito entre sua obra Ciclo das chamas e o Barroco?
Você poderia falar um pouco sobre sua formação?

Tive a grande sorte de nascer e iniciar minha formação na cidade de Piracicaba e no (então) muito sólido Ensino Oficial no Instituto Sud Mennucci. Piracicaba sempre foi uma cidade não apenas aberta mas efetivamente cultora das Artes. Convivi com várias correntes de Pinturas, pertenci ao Orfeu Mirim Piracicabano, frequentei o Centro de Cultura Artística, que sempre levou a Piracicaba artístas e interpretes nacionais e internacionais apresentando-os em seu teatro Municipal. Sempre tivemos em Piracicaba não apenas a chamada Cultura erudita, mas e ao mesmo tempo um Centro Folclórico Piracicabano. Convivi com poetas, narradores, músicos, cientistas e pintores. Fiz 4 anos de seminário em Campinas com rigorosas e sólidas formações clássica, histórica e filológica. Findo o ginásio, cursei o curso clássico e ainda estudante passei a pertencer a Associação Paulista de Imprensa e a União Brasileira de Escritores. Licenciei-me em Linguas Neolatinas na USP e também na USP fiz doutoramento e livre docência. Lecionei na PUCSP e na USP, e depois transferi-me para Assis, onde fundei a Cadeira de Língua e Literatura Italiana, e onde , depois, assumi o cargo de titular da cadeira de teoria literária e literatura comparada. Tendo-me aposentado, sou hoje professor emérito da Unesp, que ajudei a implantar-se em Assis.
Interessante!
Por que a literatura brasileira é tão pouco traduzida, se todos os que tomam contato com ela aprovam sua alta qualidade?
carpe diem...
Envolver o Mundo
Em abraço estreito
Como se meu peito
Com vigor fecundo
Fosse todo feito
Só para esse efeito
De um amor profundo.
Abraçar a Vida
Com total ternura
Como se de pura
Luz impressentida
Fosse a tessitura
(sem taxa ou usura)
por todos fruída.
Construir a Terra
Sementeira farta
Que o pão reparta
Onde não se encerra
Onde não se enterra
Fruto, ciência ou carta,
Como quem se aparta.
Entoar um Canto Alegre, jocundo:
Bem, de todo mundo
Bem, que não se oculta
Bem, que não insulta
Bem, que não se enterra
Mas que abraça a Terra.
Uma curiosidade...
Por que o poema curto é o paradigma da poesia brasileira atual?
Tudo é cultura?
Sim! Tudo quanto represente uma alteração intencional da Natureza define a Cultura, que, por depender da intencionalidade, só pode ser produto da ação humana, seja nas Ciências, seja na Tecnologia, seja principalmente nas Artes. Por isso, como proclamava Baudelaire, A Natureza aguarda a interação humana, para adquirir sentido. Como observam os Antropólogos, Cultura nenhuma pode prescendir da Palavra Humana, que, aliás, é o veículo, atraavés do qual os Universais Humanos se instituem e se propagam.
Tem alguma epígrafe, um mote que o acompanhe pela vida?
poema curto...
A caracteristica do exito expressivo da poesia é a mínima mobilização de meios expressivos e a máxima potencialização simbólica.

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

bom comeco

6:08 AM  

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