Sunday, January 29, 2006

Habite-se





Intermináveis crises existenciais nascem do questionamento sobre a finalidade da vida humana. Quem não quer saber a que veio?Em Cajuína, Caetano Veloso pergunta “Existir, a que se destina?”. Procuramos o sentido das coisas. Para Fernando Pessoa “o único sentido oculto das coisas é elas não terem sentido oculto nenhum. As coisas são realmente o que parecem ser e não haja nada que compreender.Drummond, num café, diante da morte e do tédio lamentou ser a vida uma agitação feroz e sem finalidade; uma traição.Será que Vicente de Carvalho acertou ao dizer que “a vida não é mais que uma esperança malograda”? Em Amor de perdição, de Castelo Branco, Tereza de Albuquerque pergunta a Simão Botelho “Poderias tu com a desesperança e com a vida?”. Será que a vida é apenas um lamento do que deixou de ser?Um trecho do Romance Werther, de Goethe em que o personagem central se corresponde com um amigo registra as seguintes palavras:“ A vida humana não passa de um sonho. Quando vejo os estreitos limites onde se aham encerradas as faculdades ativas e investigadoras do homem, e como todo o nosso labor visa apenas a satisfazer nossas necessidades, as quais não têm outro objetivo senão prolongar nossa existência ... tudo isso me faz emudecer”Clarice Lispector, ao dizer que “se a pessoa na estiver comprometida com a esperança, vive o demoníaco”, não têm razão? Vinícius de Moraes diz que a vida é para viver, a vida é para levar.Talvez o nosso desejo latente seja viver, não apenas existir. E viver agregando significado à vida, porque vida há.A despeito de tantas constatações existenciais, viver é apesar. Contingências, pedras no caminho, são constantes. Por isso é preciso resiliência, ser textura fiável, flexível, resistente aos embates; enxergar com os olhos livres; inventar o novo.

3 Comments:

Anonymous Christina M. Herrmann said...

Belíssima crônica, Luciana, bem questionadora, parabéns.

Beijos da amiga que te admira muito,

Christina Herrmann

6:25 AM  
Anonymous Anna D'Castro said...

Oi Lu, maravilhosa crônica! Amar e não saber Amar! Eis a questão! Amor,é doar sem trégua,nem olhar a doação! Boa questão essa e sinteticamente a alusão sobre Thereza d'Ávila/Camilo Castelo Branco, o mago das tragédias de amor, ele próprio as viveu, e com que arrubos de paixão! Voltar atrás, no tempo e na História e verificar q/a História e o Amor se repetem, não necessarimente na mesma ordem...Tudo me toca tão profundamente!
Há uma história linda de amor, de vida e morte, e vida p/além da vida, entre D. Pedro e D.Inês de Castro, que irei compartilhar contigo, para poderes falar numa das tuas próximas crônicas sobre o Amor, tema inesgotável e apaixonante p/quem ama verdadeiramente, seus amigos, seus filhos, seus parceiros, sua familia... e todo o ser humano q/mereça o nosso Amor!
Felicidades! E eu te Amo!
Beijos
Anna

7:47 PM  
Anonymous Anna D'Castro said...

RETIFICAÇÃO DE SOBRENOME:
Lu querida! E também para os leitores dos comentários aqui postados, quero pedir desculpa pelo meu lapso,de ontem, quando postei o meu comentário, e ao escrever erradamente o sobrenome da amada de Simão Botelho, no romance de Camilo Castelo Branco "Amor de Perdição"! O nome da heroína da história era Thereza de Albuquerque e não Thereza D'Ávila, esta senhora que existiu realmente, é uma personagem duma outra História, não menos bela; mas a semelhança dos nomes tem a ver com o fato de que ambas viveram e morreram em conventos e com os seus padecimentos, como era comum para aquela época.
As minhas mais humildes desculpas, mas por vezes o cansaço cerebral, nos afeta o desenvolvimento das ideias.
Está a retificação feita.
Beijos
Anna D'Castro

11:31 AM  

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