Friday, December 23, 2005

Entrevista feita por Irene Vieira- Entrevistado: Antônio Lázaro de Almeida Prado



1-Cite todas as suas obras, inclusive traduções
Sendo jornalista, desde 1944, e havendo colaborado em jornais de Piracicaba, São Paulo, Assis e de outros centros, o número de colaborações de caráter literário e de exercício da Crítica Literária é elevadíssimo e praticamente impossível de arrolar.
Pela Faculdade de Ciências e Letras do Campus de Assis publiquei os livros O Acordo Impossível (análise da obra de Cesare Pavese) e Itinerário Poético de Salvatore Quasímodo. Pela revista de Letras publiquei artigos e resenhas científicos. Publiquei ao ensejo do centenário da cidade de Assis: Assis/Passado/Presente e Futuro. E recentemente pela editora Ateliê, o livro de poesias Ciclo das Chamas e outros poemas. E, as seguintes traduções:Leon Poirier (Um Homem Chamado Francisco de Assis), de Gaëtan Picon ( O Escritor e sua Sombra), de Giambattista Vico (Ciência Nova), e de Giuseppe Ungaretti (Invenção da Poesia Moderna).
2-Fale sobre seu primeiro poema

Ainda na infância, alem de participar do Orfeão-Mirim Piracicabano, ( o que indica sensibilidade aos valores sonoros e rítmicos, escrevi poemas bastante singelos e compatíveis com a idade, em geral voltados para celebrações de afetos familiares. Isso ocorreu entre meus 8 e 9 anos. Desses poemas (curtos, como convinham para um pequeno caderno de notas) guardo muito escassa memória.
Voltei à poesia no meu estágio ginasial e já então percebi que a poesia podia traduzir tantos momentos alegres e eufóricos quanto a dor pela perda de um grande amigo, Thales Estanislau do Amaral (sobrinho de Tarsila Amaral).
E, então, ensaiei tanto o domínio de versos curtos, quanto o de idílios, sonetos, etc.

Cumpridos quatro anos (intermediários) de acentuada formação clássica(grego, latim, português, italiano, História) retomei os estudos no Instituto de Educação Sud Mennucci e nele freqüentei o Curso Clássico (Português, Francês, Inglês, Espanhol, Latim).
Fui lendo poemas de Manuel Bandeira que percebi possíveis as práticas do indevidamente chamado “verso livre”, ao lado de poemas de fundo clássico.
Então, ao cursar Letras Neolatinas na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, escrevi poemas em inglês(pouquíssimos), espanhol, francês e italiano, ao lado de poemas em português. Poemas que fui publicando em jornais de Piracicaba e São Paulo.
Dos primeiros poemas( de infância) busco recapturar os valores de comunicabilidade e combiná-los com a leitura e observ\ãncia das sugestões dos grandes poetas da Literatura Universal.
3-Momentos de rupturas, avanços na sua trajetória poética.
Como já fiz notar, os primeiros poetas, que me sensibilizaram, foram os que aprendi a admirar entre os gregos( os líricos, os épicos e os dramáticos), os latinos e os da tradições clássicos românicos e anglogermânicos.
Com o curso de Neolatinas passei a ler, intensamente, autores italianos, franceses, espanhóis, ingleses, brasileiros,portugueses, alemães,....
Assim, não houve propriamente rupturas, mas aberturas para a produção poética Universal.
Essa abertura ensinou-me que a poesia, tanto para recebê-la, quanto para produzi-la cobra e exige as melhores virtualidades humanas
.
4- Como foram seus encontros com escritores e quais suas afinidades com alguns.
Pela leitura, meu encontro com escritores iniciou-se muito cedo.
Das leituras infantis destaco as obras de Monteiro Lobato e de Thales Castanho de Andrade, que, mais tarde foi meu professor de História no Ginásio. Dos 13 aos 17 anos li autores gregos, latinos e italianos, mais Vieira, Bernardes, Camilo, Rui Barbosa, e através de uma Antologia de Estevão Cruz, tomei contacto com os grandes poetas brasileiros, inclusive os Modernistas.
Quanto a contacto pessoal, desde 1944 participei de Congresso de Escritores e conheci muitos autores brasileiros. Na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP pude conviver com autores internacionais, o que se deu também no Campus de Assis da UNESP, em encontros de Crítica e de História Literária, em Cursos Pós-Graduatórios, que ministrei.
Dentre os poetas que admiro Gonçalves Dias, os Árcades mineiros, Cruz e Souza, Manuel Bandeira, Mario de Andrade, Osvald de Andrade, Drummond, João Cabral de Melo Neto, e, particularmente, Murilo Mendes, Adélia Prado, Jorge de Lima, Dora Ferreira da Silva.
Claro está que tenho muito apreço pelas várias correntes de Vanguarda posteriores a 1922.5 - 5-O Sr.lê em várias línguas. Cite autores estrangeiros indispensáveis a um jovem poeta.
Para um jovem poeta ( no caso, brasileiro) a leitura de Drummond, Bandeira, João Cabral, Jorge de Lima, Murilo Mendes, Cecília Meireles, os das gerações posteriores a 1945...
Mas muito Dante, Petrarca, Shakespeare, Cervantes, Lorca, Rilke, Baudelaire, Eliot, Antonio Machado e tantos e tantos outros...
6- Como conciliar Teoria e Criação Poética?
Teoria e Criação Poética, principalmente se a Teoria Literária e a Literatura Comparada se vistos como convite à recepção e à produção poética, não se opõem, mas podem até ser de recíproco proveito.
A Leitura dos poetas, quanto mais ampla e quanto mais intensa, ajuda-nos bastante, porque nos propõe emulação e desafio( amistosos).
7- Quais as tendências da nova poesia Brasileira(hoje)?
Com alguma antecedência sobre alguns teóricos e críticos, as práticas da produção e da Teoria Literária e da Literatura Comparada, fizeram-me supor ( e praticar) uma poesia voltada para a Civilização Solidária, com ênfase para o encontro, a convivência e a prática da Liberdade.
No fundo, no fundo, sempre me pareceu que a Poesia é, por sua própria essência, difusiva, sempre uma proposta de encontro e solidariedade.
Parece-me que os poetas atuais buscam, sempre mais, registros e níveis de linguagem, que saibam conciliar rigor construtivo e liberdade expressivo-comunicativa.

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

bom comeco

1:44 PM  

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