O coração como ata romana

No princípio era o verbo... e os gestos que marcavam as manifestações de vontade, os atos públicos eram praticados nas portas da cidade e no paço municipal onde se encontravam a administração e a Justiça. Nesse tempo, as expressões de vontade eram marcadas por rituais, compostos por palavras, gestos e expressões.
A imagem da Ata Romana do tempo da Roma Antiga nos convida a trazer à tona nossa ata particular no centro das intenções: a praça.
Paço, pátio, praça... nesse local de encontro deixaremos fluir toda necessidade de integração que há em nós. Segundo o verbo latino Patēo, os atos de expor, abrir e descobrir-se se fazem presentes nesse espaço.
Na praça há uma postura ativa perante o mundo. O indivíduo se faz ser visto e adquire uma razão de ser. Ali, com o coração descoberto, desnudo, relacionando-se diretamente com a abóbada celeste e, conseqüentemente, com todas as manifestações climáticas, exposto, acessível, suscetível, o homem pode permitir-se. Permita-se. Traga seu coração para praça e faça dele uma Ata Romana.
4 Comments:
Belo texto, minha linda. Um beijo!
É no encontro com o outro que nos tornamos humanos e podemos nos permitir.
Belo texto!
bjs
Sim, trago meu coração ouvinte à praça, quando participo de sua comunidade Discutindo Literatura, pela sua generosidade e a dos participantes em partilhar tanta cultura.
Mil Beijos de um fã.
O texto é inteligentíssimo e lindo! Reflete aquilo que você é, aquilo que você faz. Tai, você é praça! A tua capacidade de agregar boas virtudes e com isso atrair bons amigos, tem te transformado em uma grande praça, eu mesmo tenho te procurado, talvez, na intenção de também ser visto. Beijos amiga!!!!
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